sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Uma Perspectiva Diferente da História






Parte I

Chamo-me Nuxa e sou aquilo a que se pode chamar um gato anjo (os anjos não têm sexo, e eu também não). Uma história complicada que terei oportunidade de contar.


Passava os dias ocupada entre corridas e sonecas numa casa enorme e cheia de gente. Procurava arduamente por uma porta aberta por onde pudesse escapar para uma aventura à descoberta do mundo. Aguardava impaciente que ela chegasse a casa. Dormia umas 3 ou 4 vezes, brincava, comia e bebia, dormia mais uma vez, até que ela chegava. Eu corria logo por todas aquelas escadas rumo à porta. Sentava-me à espera que entrasse. Pegava-me ao colo, dava-me tantos mimos que até chateava, e eu lá escapava daqueles abraços e saltava para o chão miando a pedir brincadeiras.


Trepava a mesa para lambusar-me com os restos de comida, deitava-me a olhar à espera que sobrasse algo para mim.


Bebia directamente da torneira e lá começava a brincadeira com a água.Ficava com as patas molhadas e escorregava pelo chão quando saltava do balcão.


Era uma alegria ver sempre aquelas pessoas:
. Aquele senhor grande que passava cá o tempo todo, que eu passava o dia todo no quarto deitada à beira dele, e de repente desapareceu e so vem cá algumas vezes. Adoro trepar e deitar-me nos ombros dele a apreciar o mundo bem lá do alto;


. Aquela senhora que também estava sempre cá, que gritava tanto quando eu ia aliviar-me nas plantas, que se esquecia tantas vezes da porta aberta e eu aproveitava para sair;


. Aquele senhor com barriga que me chamava tantas vezes outros nomes que não o meu, e fazia uns barulhos esquisitos a chamar por mim. Ele também deixava as portas abertas muitas vezes, e esquecia-se de mim fechada dentro dos armários;


. Aquela senhora que cheirava a gatos e que me fazia festinhas até eu começar a morde-la;


. Aquela outra senhora que ia e ficava por alguns dias, mas que nunca ia sozinha. Levava sempre aqueles dois monstros que corriam tanto e tanto atrás de mim...

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