segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

E Que Tal Uma Boa Acção Nesta Época Natalícia???

Associação Animais de Rua

Para quem não conhece http://www.animaisderua.org/

Vejam como podem ajudar em http://www.animaisderua.org/ajudar

Se todos ajudarmos, nada custa! Contribuindo, podemos evitar que o número de animais de rua continue a aumentar de ano para ano!

É tão simples...

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Uma Perspectiva Diferente da História - Parte III


Até ao dia em que aquela senhora deixou de vir…. Deixou de se ouvir a máquina que faz um barulho horrível, deixou de se sentir o calor da outra máquina. Podia ir aos vasos sempre que quisesse, ninguém parecia importar-se…

Nunca havia ninguém em casa. Ficava sempre só eu… Não havia movimento, não havia barulho. Tinha que dormir umas 9 ou 10 vezes para ela chegar e mesmo assim ainda esperava, esperava, esperava… Passava cada vez menos tempo comigo. Saía sempre apressada… Andava sempre cabisbaixa… Pensativa… Triste…

Um dia, ouvi as chaves tão cedo! Fiquei radiante! Corri para a porta. Esperei e quando entra alguém, não era ela! Era a senhora que deixou de vir! Mas não vinha sozinha…. Quem é? Um senhor? Não conheço este senhor…

Começam a mexer em tudo, a tirar coisas, a levar coisas… um reboliço enorme… eu corro de um lado para o outro… Para onde vão levar tudo isso? Que estão a fazer? E foram embora!

Outra vez sozinha! Lá vou eu dormir mais não sei quantas vezes até ela chegar… O tempo não passa… Durmo, durmo… e o barulhinho mágico surge: as chaves! Mais uma corrida para a porta… Ela entra, olha, e fica parada no mesmo sítio, sem se mexer… Mio, roço-me nas suas pernas, mio mais alto… ela não reage. Não me vê sequer… Não vê nada mais para além daquilo que falta… Está assustada, está triste… Chora, chora, chora… Roço-me nela, salto-lhe para o colo, mio… “Que tens patroa? Porque estás assim? Eu estou aqui…” Mas ela só chora…

Estamos ambas tão assustadas… Soluça, chora… Nem respira… O telemóvel toca e ela atende… mas não fala! Desliga e sobe as escadas! Corro atrás dela! “Hoje não te deixo Patroa”. Despe-se e toma um banho! Deita-se no sofá! Nem a luz acendeu hoje!
Chaves… Deve ser o patrão! Ele entra, abraçam-se! Ela chora novamente. Pegam nas coisas e saem outra vez…. E eu? Eu fico aqui sozinha outra vez…

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Uma Perspectiva Diferente da História


Parte II

E de repente, começa um grande reboliço. A casa começou a ficar cada vez mais vazia. A cama onde costumava dormir desapareceu. Cada vez tinha mais espaço para correr e menos sítio para dormir. Até que um dia, pega-me ao colo e começa a descer as escadas. Sei que isso nunca é coisa boa. Pensava que ia levar-me outra vez para aquele sítio das pessoas com batas verdes que dão picas. Comecei a rabiar mas não consegui fugir. Entramos no carro e seguiu-se uma longa viagem. Estava escuro e eu via muitas luzes a passar, primeiro muito devagar, depois muito depressa e depois devagar outra vez. O carro parou e eu estava tão assustada. Ela pegou-me ao colo e levou-me para uma casa.

Era uma casa grande, com muito espaço para eu correr e com muitos sítios para eu dormir. Pousou-me e eu cheirei, cheirei, investiguei, fui à descoberta. Aos poucos fui reparando nas mais diversas coisas: nas janelas que há tecto por onde eu era capaz de escapar, por onde eu vejo os pássaros e salto o mais alto que posso a tentar apanha-los, por onde entra o sol quentinho que eu adoro aproveitar para dormir uma soneca; há uma varanda onde eu adoro empoleirar-me a respirar o ar da rua, de onde eu consigo ver os meninos a brincar na relva, de onde eu consigo ver os outros gatos que andam na rua.

No início foi estranho, mas, como raramente estava sozinha, depois habituei-me a este novo sítio. Então começou novamente a rotina. Todas as manhãs, mal entra o primeiro raio de luz, acordo e começo a andar de um lado para o outro. Ela não acorda. Começo a lançar pequenos “miaus”. Ela mexe-se, mas não se levanta. Não está a resultar! Então, começo a mexer em tudo, a miar, a fazer o máximo de barulho. E ela levanta-se finalmente. Acende a luz, deita-me comida, fecha a porta e volta para a cama para dormir mais um pouco.

Umas horas mais tarde, começa aquela música a tocar. Toca uma vez, e pára. Toca novamente, e pára. À terceira vez, corro para a porta do quarto. Sim, é à terceira vez que ela se levanta. Abre-se a porta e eu mio, roço-me nas suas pernas, acompanho-a para todo o lado para aproveitar todos os bocadinhos. Daqui a pouco vai embora! Mas antes, dá-me aquela deliciosa comida que eu fico a comer enquanto vejo a sua saída. Fico então o resto do dia com aquela senhora que me deixa trepar à varanda, que me ralha quando estou na terra, que anda quase sempre com aquela máquina que faz um barulho horrível ou com aquela outra que faz muito calor.

O dia vai passando e, tal como na outra casa, espero impaciente que ela chegue. Durmo umas 3 ou 4 vezes, brinco, como e bebo, durmo mais uma vez, e ouço ao longe o barulho de um porta-chaves. Corro para a porta, mio, arranho a porta, até que ela entra. Pega-me ao colo, dá-me mimos, brinca comigo e eu não saio da beira dela, nem quando vai dormir. E era assim todos os dias…

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Uma Perspectiva Diferente da História






Parte I

Chamo-me Nuxa e sou aquilo a que se pode chamar um gato anjo (os anjos não têm sexo, e eu também não). Uma história complicada que terei oportunidade de contar.


Passava os dias ocupada entre corridas e sonecas numa casa enorme e cheia de gente. Procurava arduamente por uma porta aberta por onde pudesse escapar para uma aventura à descoberta do mundo. Aguardava impaciente que ela chegasse a casa. Dormia umas 3 ou 4 vezes, brincava, comia e bebia, dormia mais uma vez, até que ela chegava. Eu corria logo por todas aquelas escadas rumo à porta. Sentava-me à espera que entrasse. Pegava-me ao colo, dava-me tantos mimos que até chateava, e eu lá escapava daqueles abraços e saltava para o chão miando a pedir brincadeiras.


Trepava a mesa para lambusar-me com os restos de comida, deitava-me a olhar à espera que sobrasse algo para mim.


Bebia directamente da torneira e lá começava a brincadeira com a água.Ficava com as patas molhadas e escorregava pelo chão quando saltava do balcão.


Era uma alegria ver sempre aquelas pessoas:
. Aquele senhor grande que passava cá o tempo todo, que eu passava o dia todo no quarto deitada à beira dele, e de repente desapareceu e so vem cá algumas vezes. Adoro trepar e deitar-me nos ombros dele a apreciar o mundo bem lá do alto;


. Aquela senhora que também estava sempre cá, que gritava tanto quando eu ia aliviar-me nas plantas, que se esquecia tantas vezes da porta aberta e eu aproveitava para sair;


. Aquele senhor com barriga que me chamava tantas vezes outros nomes que não o meu, e fazia uns barulhos esquisitos a chamar por mim. Ele também deixava as portas abertas muitas vezes, e esquecia-se de mim fechada dentro dos armários;


. Aquela senhora que cheirava a gatos e que me fazia festinhas até eu começar a morde-la;


. Aquela outra senhora que ia e ficava por alguns dias, mas que nunca ia sozinha. Levava sempre aqueles dois monstros que corriam tanto e tanto atrás de mim...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Quem és?!?

Já não te conheço....


Não eras capaz de fazer tudo isto...


Não eras capaz de deixar-me nesta situação...


Não eras capaz de ver-me neste estado e nada fazer...


Não eras capaz de ser tão ingrata com aqueles que te apoiam incondicionalmente...


Não eras capaz de tratar tão mal aqueles que estiveram sempre lá...


Não eras capaz....


Já não te conheço....



quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Um Sinal de Vida...



Ainda me lembro quando estavas mal... quando precisaste de mim... quando precisaste de todas as outras pessoas que estiveram sempre lá... nos bons e nos maus momentos.... pessoas que hoje estão tristes, preocupadas... pessoas que se sentem abandonadas, descartadas, usadas.... pessoas de quem parece só lembrares-te quando precisas....


Ainda me lembro quando Te defendi com unhas e dentes, com esta garra que sempre me ensinaste a ter...


Ainda me lembro quando fiquei SEMPRE do teu lado... os telefonemas que fazíamos... as mensagens que trocávamos... os quilómetros que fazia só para te ver, para te dar uma alegria, para te deixar bem...


Ainda me lembro de chorar... chorar muito até secar todas as lágrimas e adormecer de cansaço... chorar em silêncio para não te preocupar... chorar por não conseguir ajudar-te... chorar por estares mal.... chorar por TI...


Ainda me lembro quando deixei tudo para trás por TI.... a minha casa... a minha cidade... o meu pai... pessoas que gostam de mim e que, ao contrário de ti, sentem SEMPRE a minha falta, e não somente quando precisam ou se sentem em baixo e abandonadas....


Ainda me lembro do entusiasmo que senti por saber que ia ficar CONTIGO e que por isso ias sentir-te bem e ias finalmente gozar da paz que tanto precisavas....


Que enganada eu estava... Que tristeza isto me faz... Que ingratidão... Que egoísmo...


Que feliz deves estar....


E Eu?? Serei apenas uma terapia??? Serei um antidepressivo? Serei um estabilizador de humor?? Serei apenas isso que só faz falta em caso de depressão e depois arruma-se no armário até vir a próxima???


Nem um sinal de vida.... É tudo que peço... Era tudo que eu queria...


Apenas um sinal de vida..............

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Desabafo...

Em tempos, disse Charlie Chaplin que “o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás para a frente. Nós deveríamos morrer primeiro, livrar-nos logo disso”.
Talvez seja esse o sentido da minha vida… talvez já tenha morrido… talvez esteja agora a enfrentar todas as coisas más da vida para poder, mais tarde, desfrutar de todos os bons momentos que me esperam….
Só encontro essa explicação!
Ninguém pode enfrentar tanta coisa seguida sem que a finalidade seja passar por tudo de uma só vez para poder depois ter paz, sossego… ter finalmente uma Vida!
É fantástico apreciar todos os acontecimentos por que tenho passado! Desde pequena, já passei pelas mais diversas situações… estranho é que, na sua maioria sejam más!
Se pensar bem, o meu nascimento descambou tudo à minha volta… talvez isso venha a confirmar a minha teoria de que em vez de nascer, morri! Não preciso fazer grande esforço para lembrar-me de ouvir demasiadas vezes que antes de mim faziam-se viagens, passavam-se fins-de-semana e férias aqui e ali, davam-se jantares, recebiam-se convites para jantares, participava-se em convívios… pareciam todos muito felizes… O que é certo é que nunca fiz parte desse lado das coisas… parece-me às vezes que o conceito de família deixou de existir à minha nascença.
Ao longo dos anos, fui conseguindo dar resposta a todas as situações. Encaro tudo a brincar, talvez tentando ser a criança que penso nunca ter sido… Encaro tudo com um sorriso, talvez tentando exteriorizar a felicidade que tanta falta me faz…
Dizem-me muitas vezes que sou o bebé da família, que fui prendada com tantas coisas que só eu tive a sorte de ter… A essas pessoas, coloco tantas dúvidas: não era melhor não ter tido 50 Barbies guardadas num baú e hoje poder ir estudar? Não era melhor ter apanhado umas chineladas no rabo em vez de ter um pai ausente? Não era melhor ser uma criança inocente do que ser uma adulta precoce?
Ainda assim, fico ainda surpreendida quando algo mau acontece! Era suposto já estar habituada e agir de forma natural… mas não! É sempre uma surpresa. E acontece sempre quando parece que algo vai começar a correr bem…
Espanta-me ainda mais a falta de consideração de algumas pessoas… a ingratidão que têm perante aqueles que estão sempre presentes, quando faz falta e quando não faz, mas que nunca merecem uma palavra de alento, uma explicação, uma satisfação…
Surpreende-me também que nunca ninguém repare quando o meu sorriso falha, ou quando não há motivos para sorrir… que ninguém dos que recebem apoio apareça para retribuir o apoio que recebem… que ninguém note que há alguém que, como todos os seres humanos, também tem dias maus, e nesses dias também precisa de apoio…
Perdoem-me o discurso pessimista e o desabafo, mas precisava faze-lo para poder continuar, nesta incerteza, a aguardar que a morte passe e que venha a parte boa da Vida!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Nossa Ardente Paixão...



Pequenos grãos de areia esvoaçam, livres e loucos, na brisa salgada que vem do mar! Tocam delicadamente o meu corpo nu, provocando leves arrepios que me percorrem a espinha. O sol beija-me a pele, pintando-a num tom dourado, aquecendo-a de tal forma que uma onda de calor emana de meu corpo.
Detenho-me deitada sobre o extenso areal a apreciar o aroma a mar que paira no ar, o harmonioso vai e vem das ondas, a calmaria de uma praia vazia num fim de tarde solarengo.
As minhas roupas foram deixadas para trás, espalhadas, esquecidas… apenas a minha pele cobre o meu corpo!
Invade-me uma estranha sensação de paz, um sentimento de liberdade, um relaxante bem-estar! Nada perturba a minha alma!
O sol vai descendo lentamente, talvez levado pela suave brisa que ainda me acompanha. Todo o cenário vai adquirindo uma nova cor alaranjada, avermelhada, transmitindo um sentimento de uma quente paixão, ardente…
Apodera-se de mim um novo sentimento… meu corpo aquece… um enorme desejo conquista-me… minha mente é surpreendida por milhões de pensamentos escaldantes…
E eis que apareces tu como que farejando os meus pensamentos, qual cão no cio, como que adivinhando os meus desejos, como que respondendo à minha vontade…
O teu corpo caminha em direcção ao meu... tua sombra desenhada no areal… o teu cheiro sobrepõe-se ao aroma do mar e difunde-se pelo ar através da brisa que corre…
A temperatura sobe… o desejo aumenta… a distância que nos separa diminui a cada passo teu… meu coração palpita de desejo…
Nossos corpos tocam-se, entrelaçam-se, unem-se num só. Beijas-me… Toco-te… Abraças-me… Percorro teu corpo suado com meus lábios molhados… Respiras fundo… Respiro fundo… Arquejas de prazer… Arquejo de prazer… … … Segredo-te ao ouvido: “AMO-TE!”
O sol põe-se no mar… A lua alta pinta de prata os nossos corpos … Nem a frescura da noite nos arrefece… nem o frio da madrugada apaga a Nossa Ardente Paixão!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Vive!

Aqui permaneço! Rodeada de quatro paredes, fechada, enclausurada, esquecida…
O ar húmido toca-me com uma frieza tal que regela a minha pele arrepiada… A escuridão preenche-me a alma! Preenche-me o olhar… não consigo sequer perceber se mantenho os olhos abertos!
O silêncio! Silêncio assustador, avassalador… Permite-me escutar até o mais silencioso ruído… do movimento da terra… do nascer do sol… do meu próprio sangue a correr-me nas veias….
O medo e a expectativa impedem-me de adormecer…. Não sei se é dia, não sei se é noite… Há quanto tempo estarei aqui? Perdi a noção do tempo… perdi as lembranças… perdi até a certeza de estar viva!
“Olá…” - Uma voz suave, calma, simpática…. “Chamo-me Vida… vim buscar-te!” Delírios! Não! Outra vez não! Não! Vão embora! Deixem-me em paz! Não voltem…
“Não queres vir?! Preferes ficar aqui?!”
Por favor! Vozes não! Já chegam as visões! Vozes não! Imploro! Desapareçam delírios! Deixem a minha sanidade mental em paz!
“Não estás a ouvir-me? Estas aqui, isolada, sozinha, enquanto a vida segue lá fora! Não queres voltar?”
Bato-me, e sinto! Belisco-me, e sinto!
“O que estás a fazer? Porque bates em ti própria?”
Costumavam parar assim! Que se passa? Porque não desaparecem agora estes delírios?
De súbito, um ruído… um chiar de uma porta a abrir! Pelo som, uma porta que não abria faz tempo… Uma porta que tantas vezes toquei, onde tantas vezes bati incessantemente e a ausência de uma resposta venceu-me pelo cansaço levando-me a desistir de continuar a bater… A porta que escondia o mundo… a porta que me afastou da vida… a porta que pela sua inutilidade, para mim, deixou de existir!
Luz! Um pequeno feixe de luz que vai aumentando transformando-se num megalómano clarão que me provoca uma cegueira diferente da que vivi até agora…. Do preto ao branco em instantes... Uma dor inigualável nos meus olhos… uma expectativa ardente na minha alma… um medo aterrador no meu coração!
“Vai! O mundo espera-te!”
Pestanejo! Pestanejo com toda a força que a expectativa e o medo me tiraram durante todo este tempo, mas que me devolveram neste momento. Tento vislumbrar o que quer que seja… mas os meus olhos não estão habituados a esta nova cor! Apenas o preto reconheço…
Pestanejo! Pestanejo mais mil vezes… Começam agora a surgir algumas cores, algumas formas… As cores e as formas do mundo! O mundo do qual já tinha desistido, no qual já não pensava, do qual nem conseguia lembrar-me sequer…
Não pode ser! A minha sanidade mental abandonou-me de vez! Estou louca… ou será isto a morte?
“Eu sou a Vida e voltei para ti! Aproveita-me! Vive-me como se não houvesse amanhã!”

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Mafalda é o meu nome

Defende-se, por aí, que tudo tem uma explicação!

Eu defendo o contraditório e isso faz de mim uma pessoa do contra! Por muitas explicações que me sejam apresentadas acredito que haja coisas inexplicáveis.
Este texto, a título de exemplo, não tem nenhuma explicação da sua existência. Escrevi-o apenas porque sim…
Conhecem então a primeira coisa sobre mim: sou do contra! Qualidade ou defeito? Quem souber responder, sinta-se à vontade para tal!
Mafalda é o meu nome! Não de Quino, mas semelhante em ideais, principalmente na revolta contra um mundo doente e na necessidade da televisão na vida das pessoas!
Com 23 aninhos, vejo-me dividida entre dois distintos modos de vida.
Por um lado, uma vida profissional activa, onde permaneço em constante contacto com gente vivida, experiente, sem esperança. Gente conformada com a sorte da vida, sedenta de dizer o que lhes vai na alma mas calados pela necessidade de um emprego. Todos parecem agir de forma mecânica como se tivessem sido inventados apenas para aquele fim, isentos de pensamentos ou opiniões…
Participo em conversas sem graça sobre dívidas incobráveis, taxas de juro instáveis e incontroláveis, crash’s da bolsa, subida de spreds. Fico atenta a notícias sobre despedimentos colectivos, multinacionais que fecham as portas deixando dezenas de famílias a desejar nunca terem decidido trabalhar todos na mesma empresa, ou sobre a acção intervencionista de um estado liberal…
Por outro lado, uma vida de adolescente cheia de sonhos e ambições onde posso manifestar a minha forma de pensar, o meu espírito revolucionário, a vontade de mudar o mundo, o desejo de um futuro brilhante. Onde posso comportar-me como um humano com sentimentos, opiniões, pensamentos…
Convivo com uma geração chamada de rasca mas que transpira imaginação, que luta pelos seus direitos e ideais, que diz tudo o que quer usando e abusando da liberdade de expressão que tanto custou a conquistar. Geração que vive sem medo das consequências políticas e económicas do mundo. Geração que expressa a sua maneira de ver o mundo e a sua revolta contra a sociedade nas paredes das cidades, naquilo a que pode chamar-se arte urbana e que muitos consideram destruição do património nacional.
Mantenho conversas sobre os mais diversos assuntos: futebol, música, teatro, cinema, actualidade, tecnologia, … Conversas interessantes e, ao contrário do que se diz por aí, conversas cultas, espontâneas, civilizadas!
Especialistas da psicologia ou mesmo psiquiatria diriam que dois modos de vida tão distintos vividos em simultâneo pelo mesmo indivíduo poderiam provocar graves problemas de saúde, nomeadamente alterações graves do foro psíquico, algum tipo de esquizofrenia, doença bipolar ou até mesmo dupla personalidade.
Mas não! Defino-me como uma mente sã num corpo não tão saudável. Gostaria de dizer que sempre fui assim e que nada mudará, mas o facto de nada permanecer estático mas sim em constantes mutações proíbe-me de tal, e deixa a minha personalidade em aberto até ao final da minha existência.
Divertida, inteligente e algo doida. Sabe ser atenciosa, carinhosa, amiga do amigo e até do inimigo. Assim definir-me-ia a minha mãe.
Assumo-me como apaixonada pela vida! Encaro tudo com um sorriso, por mais amarelo que seja! Exprimo tanto o meu sentido de humor como o meu mau feitio, mas sou reconhecida pela minha boa disposição e forma de encarar o dia a dia.
“Sonhadora, lutadora, ambiciosa. Define bem cada objectivo, luta até conseguir alcança-lo. Faz da teimosia uma das suas grandes forças, para o bem e para o mal! Aprendeu cedo a definição de vida, daí mostrar já grande maturidade que a leva a ver tudo da melhor maneira”. Sou assim aos olhos daquele que melhor me conhece.