Abro a gaveta, escolho um conjunto de lingerie: a tanga é preta, rendada, com duas fitas vermelhas entrelaçadas que terminam num pequeno laço atrás; o corpete, também preto rendado, tem um laço de fita vermelha preso na alça esquerda… Visto a tanga, visto o corpete, aperto todos os colchetes, um a um… calço as meias pretas de ligas…
Olho para o armário… percorro com os olhos todas as roupas penduradas… O dilema do costume: o que vestir?!? Penso por segundos e lembro-me de que se trata de um jantar de negócios… Fixo-me naquele vestido preto, curto… Pego nele como que por instinto e visto-o. Pego no lenço vermelho e ponho-o em volta do pescoço. Calço sapatos altos, pretos, tacões agulha…
Espalho batom vermelho pelos lábios, traço um risco preto nos olhos, remexo o cabelo encaracolado cor de mel… Olho-me ao espelho e agrada-me o que vejo! Aplico o toque final: perfume!
Sim, agora estou perfeita!
Olho para o relógio e percebo que está na hora!
Visto o meu casaco vermelho, pego na bolsa preta de mão, abro a porta e saio.
Desço a rua até à esquina e espero.

Ao longe, o carro descrito pelo telefone aproxima-se. Pára junto a mim. O vidro vai descendo e um rosto desconhecido vai surgindo. Os olhos eram pretos, profundos… a barba impecavelmente feita… o cabelo penteado para trás. “Pronta?” pergunta. “Sempre!” respondo. E antes que eu tentasse sequer abrir a porta, sai do carro, abre-me a porta de trás e dá-me instruções para entrar. Vestia um fato preto de linho, com uma camisa também preta. Os sapatos brilhavam, reluziam.
Espreito desconfiada e dou de caras com outro rosto desconhecido… Sento-me no banco traseiro e sinto a porta fechar-se logo de seguida.


