quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Um Sinal de Vida...
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Desabafo...
Em tempos, disse Charlie Chaplin que “o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás para a frente. Nós deveríamos morrer primeiro, livrar-nos logo disso”.
Talvez seja esse o sentido da minha vida… talvez já tenha morrido… talvez esteja agora a enfrentar todas as coisas más da vida para poder, mais tarde, desfrutar de todos os bons momentos que me esperam….
Só encontro essa explicação!
Ninguém pode enfrentar tanta coisa seguida sem que a finalidade seja passar por tudo de uma só vez para poder depois ter paz, sossego… ter finalmente uma Vida!
É fantástico apreciar todos os acontecimentos por que tenho passado! Desde pequena, já passei pelas mais diversas situações… estranho é que, na sua maioria sejam más!
Se pensar bem, o meu nascimento descambou tudo à minha volta… talvez isso venha a confirmar a minha teoria de que em vez de nascer, morri! Não preciso fazer grande esforço para lembrar-me de ouvir demasiadas vezes que antes de mim faziam-se viagens, passavam-se fins-de-semana e férias aqui e ali, davam-se jantares, recebiam-se convites para jantares, participava-se em convívios… pareciam todos muito felizes… O que é certo é que nunca fiz parte desse lado das coisas… parece-me às vezes que o conceito de família deixou de existir à minha nascença.
Ao longo dos anos, fui conseguindo dar resposta a todas as situações. Encaro tudo a brincar, talvez tentando ser a criança que penso nunca ter sido… Encaro tudo com um sorriso, talvez tentando exteriorizar a felicidade que tanta falta me faz…
Dizem-me muitas vezes que sou o bebé da família, que fui prendada com tantas coisas que só eu tive a sorte de ter… A essas pessoas, coloco tantas dúvidas: não era melhor não ter tido 50 Barbies guardadas num baú e hoje poder ir estudar? Não era melhor ter apanhado umas chineladas no rabo em vez de ter um pai ausente? Não era melhor ser uma criança inocente do que ser uma adulta precoce?
Ainda assim, fico ainda surpreendida quando algo mau acontece! Era suposto já estar habituada e agir de forma natural… mas não! É sempre uma surpresa. E acontece sempre quando parece que algo vai começar a correr bem…
Espanta-me ainda mais a falta de consideração de algumas pessoas… a ingratidão que têm perante aqueles que estão sempre presentes, quando faz falta e quando não faz, mas que nunca merecem uma palavra de alento, uma explicação, uma satisfação…
Surpreende-me também que nunca ninguém repare quando o meu sorriso falha, ou quando não há motivos para sorrir… que ninguém dos que recebem apoio apareça para retribuir o apoio que recebem… que ninguém note que há alguém que, como todos os seres humanos, também tem dias maus, e nesses dias também precisa de apoio…
Perdoem-me o discurso pessimista e o desabafo, mas precisava faze-lo para poder continuar, nesta incerteza, a aguardar que a morte passe e que venha a parte boa da Vida!
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Nossa Ardente Paixão...

Pequenos grãos de areia esvoaçam, livres e loucos, na brisa salgada que vem do mar! Tocam delicadamente o meu corpo nu, provocando leves arrepios que me percorrem a espinha. O sol beija-me a pele, pintando-a num tom dourado, aquecendo-a de tal forma que uma onda de calor emana de meu corpo.
Detenho-me deitada sobre o extenso areal a apreciar o aroma a mar que paira no ar, o harmonioso vai e vem das ondas, a calmaria de uma praia vazia num fim de tarde solarengo.
As minhas roupas foram deixadas para trás, espalhadas, esquecidas… apenas a minha pele cobre o meu corpo!
Invade-me uma estranha sensação de paz, um sentimento de liberdade, um relaxante bem-estar! Nada perturba a minha alma!
O sol vai descendo lentamente, talvez levado pela suave brisa que ainda me acompanha. Todo o cenário vai adquirindo uma nova cor alaranjada, avermelhada, transmitindo um sentimento de uma quente paixão, ardente…
Apodera-se de mim um novo sentimento… meu corpo aquece… um enorme desejo conquista-me… minha mente é surpreendida por milhões de pensamentos escaldantes…
E eis que apareces tu como que farejando os meus pensamentos, qual cão no cio, como que adivinhando os meus desejos, como que respondendo à minha vontade…
O teu corpo caminha em direcção ao meu... tua sombra desenhada no areal… o teu cheiro sobrepõe-se ao aroma do mar e difunde-se pelo ar através da brisa que corre…
A temperatura sobe… o desejo aumenta… a distância que nos separa diminui a cada passo teu… meu coração palpita de desejo…
Nossos corpos tocam-se, entrelaçam-se, unem-se num só. Beijas-me… Toco-te… Abraças-me… Percorro teu corpo suado com meus lábios molhados… Respiras fundo… Respiro fundo… Arquejas de prazer… Arquejo de prazer… … … Segredo-te ao ouvido: “AMO-TE!”
O sol põe-se no mar… A lua alta pinta de prata os nossos corpos … Nem a frescura da noite nos arrefece… nem o frio da madrugada apaga a Nossa Ardente Paixão!
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Vive!
Aqui permaneço! Rodeada de quatro paredes, fechada, enclausurada, esquecida…
O ar húmido toca-me com uma frieza tal que regela a minha pele arrepiada… A escuridão preenche-me a alma! Preenche-me o olhar… não consigo sequer perceber se mantenho os olhos abertos!
O silêncio! Silêncio assustador, avassalador… Permite-me escutar até o mais silencioso ruído… do movimento da terra… do nascer do sol… do meu próprio sangue a correr-me nas veias….
O medo e a expectativa impedem-me de adormecer…. Não sei se é dia, não sei se é noite… Há quanto tempo estarei aqui? Perdi a noção do tempo… perdi as lembranças… perdi até a certeza de estar viva!
“Olá…” - Uma voz suave, calma, simpática…. “Chamo-me Vida… vim buscar-te!” Delírios! Não! Outra vez não! Não! Vão embora! Deixem-me em paz! Não voltem…
“Não queres vir?! Preferes ficar aqui?!”
Por favor! Vozes não! Já chegam as visões! Vozes não! Imploro! Desapareçam delírios! Deixem a minha sanidade mental em paz!
“Não estás a ouvir-me? Estas aqui, isolada, sozinha, enquanto a vida segue lá fora! Não queres voltar?”
Bato-me, e sinto! Belisco-me, e sinto!
“O que estás a fazer? Porque bates em ti própria?”
Costumavam parar assim! Que se passa? Porque não desaparecem agora estes delírios?
De súbito, um ruído… um chiar de uma porta a abrir! Pelo som, uma porta que não abria faz tempo… Uma porta que tantas vezes toquei, onde tantas vezes bati incessantemente e a ausência de uma resposta venceu-me pelo cansaço levando-me a desistir de continuar a bater… A porta que escondia o mundo… a porta que me afastou da vida… a porta que pela sua inutilidade, para mim, deixou de existir!
Luz! Um pequeno feixe de luz que vai aumentando transformando-se num megalómano clarão que me provoca uma cegueira diferente da que vivi até agora…. Do preto ao branco em instantes... Uma dor inigualável nos meus olhos… uma expectativa ardente na minha alma… um medo aterrador no meu coração!
“Vai! O mundo espera-te!”
Pestanejo! Pestanejo com toda a força que a expectativa e o medo me tiraram durante todo este tempo, mas que me devolveram neste momento. Tento vislumbrar o que quer que seja… mas os meus olhos não estão habituados a esta nova cor! Apenas o preto reconheço…
Pestanejo! Pestanejo mais mil vezes… Começam agora a surgir algumas cores, algumas formas… As cores e as formas do mundo! O mundo do qual já tinha desistido, no qual já não pensava, do qual nem conseguia lembrar-me sequer…
Não pode ser! A minha sanidade mental abandonou-me de vez! Estou louca… ou será isto a morte?
“Eu sou a Vida e voltei para ti! Aproveita-me! Vive-me como se não houvesse amanhã!”
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Mafalda é o meu nome
Eu defendo o contraditório e isso faz de mim uma pessoa do contra! Por muitas explicações que me sejam apresentadas acredito que haja coisas inexplicáveis.
Este texto, a título de exemplo, não tem nenhuma explicação da sua existência. Escrevi-o apenas porque sim…
Conhecem então a primeira coisa sobre mim: sou do contra! Qualidade ou defeito? Quem souber responder, sinta-se à vontade para tal!
Mafalda é o meu nome! Não de Quino, mas semelhante em ideais, principalmente na revolta contra um mundo doente e na necessidade da televisão na vida das pessoas!
Com 23 aninhos, vejo-me dividida entre dois distintos modos de vida.
Por um lado, uma vida profissional activa, onde permaneço em constante contacto com gente vivida, experiente, sem esperança. Gente conformada com a sorte da vida, sedenta de dizer o que lhes vai na alma mas calados pela necessidade de um emprego. Todos parecem agir de forma mecânica como se tivessem sido inventados apenas para aquele fim, isentos de pensamentos ou opiniões…
Participo em conversas sem graça sobre dívidas incobráveis, taxas de juro instáveis e incontroláveis, crash’s da bolsa, subida de spreds. Fico atenta a notícias sobre despedimentos colectivos, multinacionais que fecham as portas deixando dezenas de famílias a desejar nunca terem decidido trabalhar todos na mesma empresa, ou sobre a acção intervencionista de um estado liberal…
Por outro lado, uma vida de adolescente cheia de sonhos e ambições onde posso manifestar a minha forma de pensar, o meu espírito revolucionário, a vontade de mudar o mundo, o desejo de um futuro brilhante. Onde posso comportar-me como um humano com sentimentos, opiniões, pensamentos…
Convivo com uma geração chamada de rasca mas que transpira imaginação, que luta pelos seus direitos e ideais, que diz tudo o que quer usando e abusando da liberdade de expressão que tanto custou a conquistar. Geração que vive sem medo das consequências políticas e económicas do mundo. Geração que expressa a sua maneira de ver o mundo e a sua revolta contra a sociedade nas paredes das cidades, naquilo a que pode chamar-se arte urbana e que muitos consideram destruição do património nacional.
Mantenho conversas sobre os mais diversos assuntos: futebol, música, teatro, cinema, actualidade, tecnologia, … Conversas interessantes e, ao contrário do que se diz por aí, conversas cultas, espontâneas, civilizadas!
Especialistas da psicologia ou mesmo psiquiatria diriam que dois modos de vida tão distintos vividos em simultâneo pelo mesmo indivíduo poderiam provocar graves problemas de saúde, nomeadamente alterações graves do foro psíquico, algum tipo de esquizofrenia, doença bipolar ou até mesmo dupla personalidade.
Mas não! Defino-me como uma mente sã num corpo não tão saudável. Gostaria de dizer que sempre fui assim e que nada mudará, mas o facto de nada permanecer estático mas sim em constantes mutações proíbe-me de tal, e deixa a minha personalidade em aberto até ao final da minha existência.
Divertida, inteligente e algo doida. Sabe ser atenciosa, carinhosa, amiga do amigo e até do inimigo. Assim definir-me-ia a minha mãe.
Assumo-me como apaixonada pela vida! Encaro tudo com um sorriso, por mais amarelo que seja! Exprimo tanto o meu sentido de humor como o meu mau feitio, mas sou reconhecida pela minha boa disposição e forma de encarar o dia a dia.
“Sonhadora, lutadora, ambiciosa. Define bem cada objectivo, luta até conseguir alcança-lo. Faz da teimosia uma das suas grandes forças, para o bem e para o mal! Aprendeu cedo a definição de vida, daí mostrar já grande maturidade que a leva a ver tudo da melhor maneira”. Sou assim aos olhos daquele que melhor me conhece.


