
Um raio de luz entra pela janela despertando-me do sono. Luto contra a claridade. Esforço-me para não abrir os olhos. Não! Não quero abrir os olhos. Não! Não quero olhar em volta e ver onde estou…
Fecho os olhos com toda a minha força… mas a claridade parece aumentar provocando ardor no meu olhar.
Abro os olhos a medo… Olho em redor… Onde estou?
Levanto-me com cuidado, muito lentamente… Não! Não quero que acorde! Não! Não quero olhar aquele rosto de novo.
Pego nas minhas roupas do chão e visto-me com rapidez. Pego no envelope deixado à entrada do quarto e, sem olhar para trás, saio e bato a porta.
Pego nas minhas roupas do chão e visto-me com rapidez. Pego no envelope deixado à entrada do quarto e, sem olhar para trás, saio e bato a porta.
Deixo o edifício discretamente, como habitual.
Entro no carro e fecho os olhos desejando chegar a casa como que por teletransporte.
Entro em casa… Dispo-me enquanto caminho para a banheira deixando para trás um rasto de roupa no chão… deixo a água a correr enquanto ponho música.
Entro na banheira e sinto a água a percorrer-me todo o corpo. Relaxo… Acalmo… Ouço Alanis … “Isn't it ironic... don't you think… It's like rain on your wedding day”... Relaxo... Deito-me na banheira... Fecho os olhos…
Abro os olhos de repente! A água está fria…. A minha pele está enrugada. Há quanto tempo estou aqui? O meu corpo está roxo… Tremo de frio!
Abro os olhos de repente! A água está fria…. A minha pele está enrugada. Há quanto tempo estou aqui? O meu corpo está roxo… Tremo de frio!
Por instinto, ligo a água quente para aquecer-me e deixo-me estar… A minha pele ganha um tom avermelhado com a temperatura da água.
Apanho a toalha e enrolo-me nela. O chão fica pingado... O vapor paira no ar… Limpo o espelho embaciado e penteio o cabelo molhado… Vou para o quarto, enxugo o corpo na toalha deixando-a caída no chão.
Visto o roupão e desço as escadas! Preparo uma tigela de cereais e sento-me no sofá a comer enquanto ouço Otello de Verdi.
Fecho os olhos! Consigo lembrar-me das minhas aulas de piano quando era miúda… Sentir as teclas por baixo dos dedos… As mãos movem-se com suavidade… leveza… O mundo parece parar!
Rapidamente volto à realidade com o telefone a tocar… Trabalho para esta noite: Jantar de negócios…


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