Aqui permaneço! Rodeada de quatro paredes, fechada, enclausurada, esquecida…
O ar húmido toca-me com uma frieza tal que regela a minha pele arrepiada… A escuridão preenche-me a alma! Preenche-me o olhar… não consigo sequer perceber se mantenho os olhos abertos!
O silêncio! Silêncio assustador, avassalador… Permite-me escutar até o mais silencioso ruído… do movimento da terra… do nascer do sol… do meu próprio sangue a correr-me nas veias….
O medo e a expectativa impedem-me de adormecer…. Não sei se é dia, não sei se é noite… Há quanto tempo estarei aqui? Perdi a noção do tempo… perdi as lembranças… perdi até a certeza de estar viva!
“Olá…” - Uma voz suave, calma, simpática…. “Chamo-me Vida… vim buscar-te!” Delírios! Não! Outra vez não! Não! Vão embora! Deixem-me em paz! Não voltem…
“Não queres vir?! Preferes ficar aqui?!”
Por favor! Vozes não! Já chegam as visões! Vozes não! Imploro! Desapareçam delírios! Deixem a minha sanidade mental em paz!
“Não estás a ouvir-me? Estas aqui, isolada, sozinha, enquanto a vida segue lá fora! Não queres voltar?”
Bato-me, e sinto! Belisco-me, e sinto!
“O que estás a fazer? Porque bates em ti própria?”
Costumavam parar assim! Que se passa? Porque não desaparecem agora estes delírios?
De súbito, um ruído… um chiar de uma porta a abrir! Pelo som, uma porta que não abria faz tempo… Uma porta que tantas vezes toquei, onde tantas vezes bati incessantemente e a ausência de uma resposta venceu-me pelo cansaço levando-me a desistir de continuar a bater… A porta que escondia o mundo… a porta que me afastou da vida… a porta que pela sua inutilidade, para mim, deixou de existir!
Luz! Um pequeno feixe de luz que vai aumentando transformando-se num megalómano clarão que me provoca uma cegueira diferente da que vivi até agora…. Do preto ao branco em instantes... Uma dor inigualável nos meus olhos… uma expectativa ardente na minha alma… um medo aterrador no meu coração!
“Vai! O mundo espera-te!”
Pestanejo! Pestanejo com toda a força que a expectativa e o medo me tiraram durante todo este tempo, mas que me devolveram neste momento. Tento vislumbrar o que quer que seja… mas os meus olhos não estão habituados a esta nova cor! Apenas o preto reconheço…
Pestanejo! Pestanejo mais mil vezes… Começam agora a surgir algumas cores, algumas formas… As cores e as formas do mundo! O mundo do qual já tinha desistido, no qual já não pensava, do qual nem conseguia lembrar-me sequer…
Não pode ser! A minha sanidade mental abandonou-me de vez! Estou louca… ou será isto a morte?
“Eu sou a Vida e voltei para ti! Aproveita-me! Vive-me como se não houvesse amanhã!”
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Vive!
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E quantas e quantas vezes é preciso dar valor a essa vida começando a dar valor a nós próprios. Não precisas de enfrentar esse clarão sozinha, sabes que mesmo na escuridão não estarás sozinha.
ResponderEliminarEnfrenta essa vida que tens por viver meu amor, e terás mais um motivo para te orgulhares de ti própria com toda a força.
Como eu te adoro (L)